Cresce número de motoristas presos por embriaguez

Apesar do número crescente de acidentes fatais de trânsito envolvendo motoristas alcoolizados, o paulistano está bebendo mais antes de dirigir

Dados da Polícia Militar mostram que, apesar do número crescente de acidentes fatais de trânsito envolvendo motoristas alcoolizados, o paulistano está bebendo mais antes de dirigir. O número de motoristas bêbados flagrados pelas blitze da PM entre janeiro e setembro deste ano já é 38% maior do que a soma de todo o ano de 2010. No ano passado, entre janeiro e dezembro, a PM afirma ter feito 158 mil testes de bafômetro na cidade e prendido 842 motoristas flagrados cometendo crime de trânsito (quando o nível de álcool no sangue superou 6 decigramas). Ou seja: para cada mil testes feitos, cinco motoristas foram presos.

Já neste ano, levando em conta apenas os meses entre janeiro e setembro, foram 138 mil testes, com 1.166 motoristas acima dos níveis máximos tolerados. Traduzindo: oito bêbados para cada mil testes feitos. Por outro lado, está em queda o número de motoristas que bebem moderadamente (mas ainda assim acima do tolerado pela lei seca) e dirigem. O total de flagrantes de infrações de trânsito (quando o nível de álcool é menor do que 6 decigramas) recuou. No ano passado, foram 27 autuações para cada mil testes. Em 2011, até agora, são 23 ocorrências em cada mil.

Justificativa – Especialistas em segurança do trânsito são receosos ao afirmar que as pessoas estão bebendo mais. Para eles, a PM está focando suas ações em locais onde as chances de encontrar bêbados é maior. Mas a PM diz que tem atuado com as mesmas técnicas que utiliza desde 2008, quando a lei seca entrou em vigor. “Ela deve ter mapeado os locais com mais ocorrências e focado suas ações por lá. Com isso, há mais chances de flagrar motoristas bêbados. E os números ficam indicando crescimento dos casos”, diz o coronel reformado da PM e consultor de segurança José Vicente da Silva.

Já o médico Mauro Augusto Ribeiro, presidente da Associação Brasileira de Medicina do Trânsito (Abramet), diz que os policiais podem estar fazendo abordagens direcionadas – quando o PM opta por fazer o teste em motoristas que já apresentam sinais de embriaguez. “Eles (os PMs) podem fazer dois tipos de abordagem. A direcionada ou a aleatória, quando vão parando um carro a cada quatro ou cinco que passam pelo bloqueio. A direcionada tem mais chances de flagrar quem bebeu além da conta. Mas a aleatória é mais eficiente no sentido da educação do trânsito. Se você bebeu e vai passar pelo bloqueio e o policial para o carro da sua frente, você vai ver que quase foi pego e vai pensar um pouco mais antes de beber e dirigir”, explica.

(Com Agência Estado)

Maconha aumenta risco de depressão

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Probabilidade de desenvolver a doença é agravada com o consumo da droga por jovens vulneráveis a quadros depressivos

Depressão: pesquisa holandesa observou que o consumo de maconha aumenta o risco da doença em jovens que apresentam determinada variação genética

Depressão: pesquisa holandesa observou que o consumo de maconha aumenta o risco da doença em jovens que apresentam determinada variação genética (Doug Menuez/Thinkstock)

Quem fuma maconha corre o risco de desenvolver distúrbios graves, como esquizofrenia e psicose. Uma nova pesquisa feita na Holanda adiciona mais um problema causado pela droga. De acordo com um estudo feito no Instituto de Ciência Comportamental da Universidade Radboud de Nijmegen, na Holanda, a droga aumenta o risco de desenvolver sintomas depressivos em jovens geneticamente vulneráveis. A pesquisa foi publicada na versão online doAddiction Biology, periódico científico da Sociedade Britânica para o Estudo da Dependência.

 

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Testing bidirectional effects between cannabis use and depressive symptoms: moderation by the serotonin transporter gene

Onde foi divulgada: revista Addiction Biology Online

Quem fez: Roy Otten

Instituição: Instituto de Ciência Comportamental da Universidade Radboud de Nijmegen, na Holanda

Dados de amostragem: 310 adolescentes, por 4 anos

Resultado: O estudo mostrou que o consumo de maconha aumentou os sintomas depressivos nos adolescentes geneticamente vulneráveis.

A maioria da população é vulnerável. Segundo o estudo, duas em cada três pessoas apresentam uma variação no gene transportador de serotonina, um neurotransmissor também conhecido como 5-HT. Tal variante pode ser responsável por tornar uma pessoa mais sensível a desenvolver depressão.

A pesquisa recolheu, durante quatro anos, informações de 310 adolescentes. A cada ano, os jovens responderam questões sobre assuntos como comportamento e sintomas de depressão. A variação do gene da serotonina foi determinante para os resultados: o consumo de maconha aumentou os sintomas depressivos nos adolescentes que apresentavam tal variante.

“Esse efeito da droga é forte, mesmo se levarmos em conta uma série de outras variantes que causam a depressão, como uso de álcool, personalidade e situação socioeconômica. Algumas pessoas podem pensar que jovens com disposição a depressão comecem a consumir maconha como uma forma de automedicação e que a presença de sintomas depressivos seja o fator que leve ao consumo da droga. Entretanto, nesse estudo a longo prazo, mostramos que não é o caso”, diz Roy Otten, principal autor da pesquisa.

Em estudo feito pelo IBGE em 2009, 8,7% dos estudantes entre 13 e 15 anos disseram já haver experimentado alguma droga ilícita. Na Holanda, onde foi feita essa pesquisa, o uso de maconha entre jovens é expressivo: 12% dos adolescentes de 16 anos disseram ter usado maconha ao longo do mês anterior. Além de um pior desempenho escolar, o uso da droga pode aumentar o risco de desenvolver esquizofrenia e psicose.

Para os pesquisadores, conhecer os efeitos negativos do consumo de maconha é importante, pois, para um grande número de pessoas, entre outros prejuízos, seu uso pode aumentar o risco de depressão a longo prazo.

Tolerância menor com maconha na Holanda

Maconha vendida na Holanda – Foto:/ AP

O Globo

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O governo da Holanda anunciou [ontem] que vai nivelar a chamada “maconha de alta concentração”, vendida no país, como droga pesada, na mesma classificação de tóxicos como a cocaína e o ecstasy.

O ministro da Economia da Holanda, Maxime Verhagen, afirmou que a droga, com mais de 15% da substância THC em sua composição, tem uma potência muito maior do que a forma mais leve da erva. Segundo ele, o tóxico “causa um prejuízo crescente na saúde pública dom país”.

A medida é o passo mais recente do governo holandês para tentar reverter a notória política de tolerância da Holanda com as drogas. Após a decisão, a maior parte dos cafés holandeses, populares por vender a erva, vão ter que trocar seus estoques do fumo.

No entanto, críticos dizem que será difícil que a medida seja cumprida e que o fato só irá influenciar os usuários a consumirem mais as variantes mais leves da maconha.

Ao contrário do que muitos pensam, a posse de maconha é ilegal na Holanda, mas somente em grandes quantidades. O comércio da erva é muito comum em bares e cafés destinados a utilização da droga no país. No entanto, pessoas que cultivam a planta podem ser processadas.

Crack traz destruição em MG

Aside

BELO HORIZONTE – O consumo do crack já provoca uma epidemia de homicídios no país, que vitima principalmente jovens de 15 a 24 anos e é um dos principais fatores do aumento da violência, especialmente no Nordeste. Luiz Flávio Sapori, professor da PUC Minas e um dos principais estudiosos do tema no Brasil, em dois anos de análise conseguiu constatar claramente este fenômeno nos dados de violência em Belo Horizonte, capital mineira. – A fatia mais considerável da violência nas principais cidades brasileiras está relacionada à introdução do crack. Em especial no Nordeste, onde estão as capitais que tiveram o maior aumento de homicídios – afirma o pesquisador, que classifica o crack como a droga mais danosa da sociedade atual e critica a falta de medidas concretas de atenção ao problema por parte do governo federal. Em Pernambuco, o crack já se alastrou por todas as cidades do estado. Ao lançar no ano passado o Plano de Ações Sociais Integradas de Enfrentamento ao Crack, o governador Eduardo Campos afirmou que 80% dos homicídios no estado tinham vinculação com o tráfico de drogas e que a grande maioria estava ligada ao crack. Em Minas, Sapori conseguiu estabelecer esta relação entre o crack e o aumento da violência a partir de uma amostragem aleatória de inquéritos da Polícia Civil. Nos anos anteriores à inserção da droga na capital mineira, no meio da década de 90, o comércio de drogas era responsável por 8% dos crime contra a vida. A partir de 1997, este percentual cresceu consideravelmente, alcançando 19% dos crimes até 2004, e 33% em 2006. – O Brasil simplesmente não tem uma política de atendimento ao usuário do crack. O SUS não está preparado tecnicamente para atender à especificidade do dependente de uma droga diferente de todas as outras existentes por aqui – diz o especialista.

Drogas sintéticas são as segundas mais consumidas no mundo, relata ONU

(AFP)

VIENA, Áustria — As drogas sintéticas superaram a cocaína e a heroína e passaram a ocupar o segundo lugar na lista de droga mais consumidas no mundo, atrás apenas da maconha, anuncia a Organização as Nações Unidas contra as Drogas e o Crime (ONUDC) em seu relatório anual.

Depois da maconha, os estimulantes do tipo anfetaminas (ATS) são a segunda droga mais utilizada no planeta, à frente da cocaína e da heroína, afirma o documento da ONUDC.

A agência destaca as transformações do mercado de entorpecentes e o aumento do número de laboratórios clandestinos para elaborar ATS.

“O mercado das ATS evoluiu de uma indústria de fabricação doméstica em pequena escala para um mercado do tipo cocaína e heroína, com um nível mais forte de integração e com grupos do crime organizado envolvidos ao longo da cadeia de produção e de distribuição”, explicou o diretor executivo da ONUDC, Yuri Fedotov.

O relatório ressalta que as ATS são fáceis de produzir e precisam de um investimento relativamente pequeno, com um grande rendimento, ao contrário das drogas a base de plantas, como a cocaína e os opiáceos.

Na Ásia sul-oriental, a região mais afetada pelas anfetaminas, o número de pílulas de ATS confiscadas passou de 32 milhões em 2008 a 93 milhões em 2009 e alcançou 133 milhões ano passado.

“Vemos a produção suprir novos mercados e as rotas das drogas se diversificam para alcançar áreas que antes não eram afetdas pelas ATS”, afirma o documento.

Na América Latina e África Ocidental foram registrados recentemente as primeiras descobertas de laboratórios de ATS.

Na Ásia oriental e sul-oriental, a ONUDC também destacou uma tendência crescente de consumidores que injetam ATS, com consequências perigosas para a saúde, sobretudo pelo vírus da Aids.

O relatório também aponta a emergência de novos componentes sintéticos não regulados, imitando os efeitos das substâncias ilícitas e que escapam do controle das leis internacionais.

“Muito perigosas e, no entanto, ainda consideradas legais em muitos países, estas drogas são facilmente encontradas pela internet”, afirma ONUDC.

Descoberta de gene ligado à alcoolismo e tabagismo

Cientistas encontraram uma enzima que, ao que parece, está envolvida na resposta do cérebro ao álcool e à nicotina. O achado gera a esperança de que a dependência das duas drogas possa vir a ser tratada com um único medicamento, no futuro.
Num estudo publicado pela revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)”, os pesquisadores conseguiram criar camundongos sem o gene da proteína quinase C épsilon. Comparados aos animais que tinham o gene, eles consumiram uma solução de nicotina em quantidade menor.

Além disso, mantiveram a quantidade consumida num nível estável, ao contrário do outro grupo. Isso indica que o gene está relacionado à dependência química da nicotina.
No passado, um procedimento semelhante mostrou que o mesmo gene está ligado ao alcoolismo.
“Isso pode significar que esses camundongos [os que não têm o gene] não têm o mesmo senso de recompensa da nicotina e do álcool”, afirmou Robert Messing, da Clínica e Centro de Pesquisa Ernest Gallo, ligado à Universidade da Califórnia, em São Francisco, nos EUA. O sistema de recompensa é um setor do cérebro relacionado ao vício.
Na visão do pesquisador, portanto, um medicamento que neutralizasse a ação desse gene poderia ser uma forma de tratar a dependência do álcool e do tabaco.

Fonte: UNIAD

Crack – solução é acolher e reconstruir vidas

Alexandre Padilha e Roberto Tykanori

No início dos anos 1980, quando os primeiros casos de HIV foram registrados no País, a comunidade médica e as estruturas de saúde desconheciam a forma mais eficaz de tratar os pacientes, cujo número crescia em progressão geométrica. O dedo foi posto na ferida. Assim, apesar de todos os avanços ainda necessários, demos passos para começar a enfrentar essa epidemia mundial.

 Hoje é mais do que evidente que o abuso e a dependência de drogas no Brasil – em especial do álcool e do crack – se transformaram numa nova chaga social. As vítimas acumulam-se, com graves repercussões na ocupação do espaço urbano, na exclusão econômica e social, na rede de saúde e na vida das famílias. Dados de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo evidenciaram a complexidade que é tratar esses pacientes. Durante 12 anos acompanharam 107 dependentes do crack. Após esse período, 32,8% estavam abstinentes, 20,6% haviam morrido (a maioria, pela violência), 10% encontravam-se presos, 16,8% continuavam usando crack e cerca de 20% estavam desaparecidos, num destino incerto para quem esbarra em algum momento da vida com essa realidade.

A dependência, inclusive do crack, reúne situações sociais muito diversas: desde recursos para suportar a exclusão até estratégias para se sentir incluído. Nas estatísticas estão crianças na rua que se iniciaram nas drogas para suportar a fome e o frio, os trabalhadores rurais que acreditam que a pedra lhes pode fazer suportar toneladas a mais de cana-de-açúcar, profissionais liberais pressionados pelo desempenho no trabalho e jovens que querem alcançar, cada vez mais rapidamente, a inserção na turma. Para todos é crucial construir novos projetos e redescobrir sentido para a vida.

As raízes do problema são externas ao campo da saúde pública, mas sabemos que a rede de ambulatórios, de hospitais e de profissionais pode interferir no curso da dependência. Estamos convencidos de que uma abordagem bem-sucedida está relacionada a uma reestruturação do Sistema Único de Saúde (SUS) que possibilite aos Estados, aos municípios, à sociedade civil atuar em conjunto com o Ministério da Saúde, de forma articulada, no enfrentamento do crack e de outras drogas. O SUS, pela sua capilaridade e pelo seu compromisso com a defesa da vida, deve estar mais presente junto aos indivíduos, grupos e no ambiente social onde se inicia ou se perpetua a dependência de drogas.

Para uma ação eficaz é preciso distinguir o que precisa ser distinto: por um lado, reprimir e criminalizar, de forma vigorosa, o tráfico de drogas e o contrabando; por outro, acolher de forma humanizada e possibilitar o acesso dos usuários às diversas terapias, salvando vidas e evitando mortes precoces. Uma resposta da área de saúde poderá prevenir sofrimento pessoal, conflitos familiares, violência e acidentes urbanos.

Somente com a estruturação de uma rede de serviços que ofereça abordagens diferentes para diferentes indivíduos é que será possível aumentar as chances dos dependentes de reconquistarem sua vida e de a sociedade ganhar de volta seus cidadãos. Para ter sucesso o tratamento deve considerar e se adequar a necessidades distintas. Qualquer proposta que se paute em apenas uma forma de ação ou um tipo de serviço está fadada ao fracasso. Ou seja, não pode ser só ambulatorial, nem somente clínicas de internação ou apenas espaços de internação prolongada.

Por isso o Ministério da Saúde propôs uma parceria à sociedade com Estados e municípios para uma nova rede de serviços. Num mesmo território serão ofertados unidades básicas/Programas de Saúde da Família, consultórios volantes para abordagem e cuidado das pessoas em situação de rua, enfermarias especializadas em pacientes dependentes de álcool e drogas, unidades de acolhimento para pessoas que necessitem de internação prolongada, parcerias com entidades do terceiro setor e com comunidades terapêuticas. Além disso, vai capacitar os serviços de urgência e emergência como portas de entrada possíveis. E também ampliar para 24 horas o funcionamento dos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas.

O tema é polêmico, mas não nos devemos paralisar diante de dúvidas. Toda iniciativa que se paute pelo respeito aos direitos individuais e pela proteção à vida deve ser defendida, até mesmo com o recurso à internação involuntária, na forma da lei. Mas nem ela – muito menos o uso da força – pode ser o centro da estruturação dos serviços de saúde e da estratégia de saúde. Nesse sentido, saudamos o recente protocolo organizado pelo Conselho Federal de Medicina, que apresenta uma abordagem contemporânea e equilibrada do tema.

A qualificação profissional e o uso de tratamentos bem estruturados são fundamentais, mas uma abordagem multissetorial será decisiva para o sucesso desta empreitada. Nós, profissionais de saúde, precisamos estar cada vez mais preparados para proporcionar os cuidados necessários, porém sabemos que é imprescindível o envolvimento da sociedade e de outras políticas públicas – como educação, qualificação profissional, moradia, esportes e convívio comunitário – para produzir resultados duradouros.

Essa não é uma tarefa nova. Ao longo dos seus 22 anos, o SUS enfrentou vários desafios que também exigiram abordagem multissetorial. E mostrou-se capaz de enfrentá-los quando uniu a capacidade de quem sofre e agregou quem estava disposto a se mobilizar.

Este é o desafio: criar uma grande frente de saúde pública, comprometida com o tratamento, a recuperação e a reinserção dos milhares de crianças, jovens e adultos machucados pelo crack e outras drogas. Estamos prontos para pôr o dedo nessa ferida e começar a cicatrizá-la. Dessa forma estaremos cumprindo nossa missão.
RESPECTIVAMENTE, MINISTRO DA SAÚDE E COORDENADOR DE SAÚDE MENTAL DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

Nós que fazemos o INFODROGAS acreditamos que o Brasil merece novas chances na luta contra as drogas. A recuperação é o que acreditamos e sempre será nossa meta.

Marcelo Machado e equipe